13 de nov de 2009

8ª Oficina

Relatório 12 – Oficina 12
TP 05 – Unidade 20
Data: 25 e 26 de agosto de 2009

Formador: Eneci de Aquino Pilar – Sinop/MT


Dando início a mais um encontro presencial do Programa Gestar II com os cursistas da rede municipal de Sinop, realizamos a leitura compartilhada do texto “Gaiolas e asas”, de Rubem Alves, que nos oportuniza refletir sobre o papel do professor na formação de cidadãos críticos, bem como a função que desempenha a escola na preparação desses alunos. Para o autor, as escolas existem não para ensinar a voar, mas sim para encorajar o voo, pois segundo ele todos já nascem sabendo voar, o que precisam é serem encorajados a alçar voo.
Os cursistas aproveitaram esse momento e levantaram questões importantes que poderiam contribuir para tornar o ambiente escolar mais humano, onde professores, funcionários, pais e alunos possam conviver de forma harmoniosa, alcançando assim os objetivos traçados. Sabemos que este é um caminho difícil, que essas ações dependem de muitos fatores, mas que são perfeitamente possíveis de serem concretizadas.
Encerradas as reflexões sobre a leitura compartilhada solicitei dos professores que relatassem as atividades desenvolvidas em sala com os alunos e na sequência iniciamos o estudo reflexivo da unidade que trata das relações lógicas. Destaquei os objetivos dessa unidade que eram identificar as relações lógicas de temporalidade e de identidade na construção de sentidos do texto bem como analisar efeitos de sentido decorrentes da negação e na construção de significados implícitos na leitura e na produção de textos.
Para complementar as leituras disponibilizadas pela unidade foram trazidos materiais de apoio que serviram de suporte aos estudos, esclarecendo assim alguns pontos obscuros sobre o tema. Para produzir sentido, para ser coerente, um texto deve fornecer informações adequadas para que o leitor/ouvinte seja capaz de construir uma representação do mundo textual, ativando conhecimentos prévios ou chegando a algumas conclusões a respeito do conjunto de informações linguisticamente organizadas. O reconhecimento de que tipo de relações lógicas tais informações estabelecem depende do reconhecimento de como as marcas, ou pistas, sobre essas relações estão organizadas no texto.
Essas “pistas” que levam ao reconhecimento dessas relações lógicas tanto podem estar mais intimamente ligadas aos elementos linguísticos que tecem a textualidade, como podem estar mais ligadas à situação sócio-comunicativa, “fora” do texto, articulando-o com o conhecimento de mundo dos interlocutores.
Embora as relações lógicas sejam, antes de tudo, operações de raciocínio lógico expressas linguisticamente, a organização lógica de um texto depende também da situação de interação, ou do contexto. Por isso, a escolha de como será feita essa organização corresponde sempre a uma intenção comunicativa que está incorporada ao texto. A negação, por exemplo, é uma relação lógica que representa a exclusão, a rejeição de uma informação ou da possibilidade de ocorrência de algum fato ou evento. As negativas podem servir para orientar a compreensão do texto em uma certa direção da organização das informações ou para provocar reações do leitor/ouvinte que seriam diferentes se a construção lingüística tivesse forma de afirmação.
Essas considerações teóricas deram suporte à oficina dessa unidade que propôs a elaboração de um texto publicitário que explorasse a construção de significados de múltiplas maneiras. Para essa atividade reuni embalagens de diferentes produtos e solicitei aos cursistas que criassem uma propaganda usando a negação como elemento de exclusão/rejeição para então argumentar e convencer o leitor/ouvinte a comprar o produto. Os cursistas fizeram a análise dos textos produzidos respondendo as seguintes questões sugeridas na proposta de atividade:

a) Que produto o texto está anunciando?
b) Que relação está sendo excluída?
c) Que expressões são usadas para marcar essa negação?
d) Que expectativas cria essa negação no leitor?
e) Que efeito de sentido a negativa de uma relação tem sobre a afirmação de outra?
f) Como aparece a coesão inter-relacionando texto verbal e visual no anúncio?
Concluída a oficina os cursistas debateram sobre os resultados alcançados com essa atividade e fizeram uma avaliação do encontro.